Decidi que minha consciência terá um nome. Será mais fácil
conversar com a mesma se tiver um nome próprio. Optei por Bernie, é um nome
legal e parece de desenho animado. Amo animações. Queria eu ser um personagem
na Disney, teria no fim um happy ending sem discussão alguma. Só um fim, com
fogos de artifício e uma musiquinha agradável. Pois então Bernie. A
personificação da minha consciência. Não quero que crie vida própria e saia
falando o que eu realmente queria falar para tudo e todos. Uma vez isso aconteceu
e o resultado não foi muito bom. Honestidade demais assusta as pessoas. Todos
precisamos de uma máscara, disfarçar a verdade para fins protetores. Ninguém
gosta de ser o chato que aponta os defeitos e fala a áspera verdade, então fica
confortável como o amigo bonzinho que apoia qualquer decisão, mesmo as idiotas.
Bernie era assim. Ficava calado e nunca me parava. Ou então se tornava o amigo
chato e que aponta me torturando com minhas besteiras e bobagens. Bernie quando
não me segurou, simplesmente me deixara livre, não me impediu de falar pelos
cotovelos e balbuciar indagações ridículas que estavam guardadas no arquivo
secreto do meu inconsciente. Agora Bernie é meu bff. Conversamos altos papos.
Às vezes eu paro e tiro um tempo considerável só para trocar figurinhas com o
bendito. Bernie sabe dos meus medos, mesmo quando eu não tenho noção deles. Também
sabe minhas vontades até quando eu não as expresso. Agora, eu só quero que
Bernie fique feliz, tranquilo, que seja um bom amigo e me ajude a solucionar os
problemas. Sei que somente Bernie, que na verdade sou apenas eu, não conseguirá
solucionar todos eles. Por isso existem os amigos que eu não dei nome, eles já
vieram com um e eu apenas aceitei. Tanto Bernie e meus amigos sabem que não é
preciso ser um personagem de desenho animado pra ter um happy ending. Você
mesmo o faz, e espera que o destino seja legal contigo e te dê uma força, ai
então é só escolher a musiquinha legal.

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